O nervosismo me ronda. Chego a perder o ar. Ele parece ter mãos que se fincaram um volta de meu pescoço, cortando-me a possibilidade de respirar. E então, quando parece que meu mundo vai desabar, eu corro. Corro em direção daquele instrumento notável. Aquele que ao emitir seu som me acalma como uma canção de ninar a um bebê. Me sento no banco de veludo e levo meus dedos as teclas brancas e as pretas. Ao fazer uma nota, sinto o nervosismo desaparecer e o talento transparecer por meus dedos. O ambiente se transforma. Estou tocando para uma platéia. Antes eram apenas as paredes de minha sala que ouviam a doce melodia transmitida por meu piano. Finalizo com um solo em sol e me levanto. Surpreendo-me quando todos se levantam e me aplaudem. O nervosismo se fora, e agora descobri que minha terapia é o meu piano. Não coisa melhor que deixar o sentimento fluir em notas.


